Autora e ilustradora: Marie-Louise Gay

Na última segunda-feira eu tive o prazer de conhecer a autora da série Stella and Sam. No Brasil, seus protagonistas foram batizados de Estela e Marcos.

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(imagem daqui)

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Marie-Louise Gay é uma escritora e ilustradora canadense. Ela mora em Montreal. Na sua biografia, ela diz que não tinha aspirações de ser artista quando era pequena. Na terceira série ela até foi reprovada em artes, imaginem só! Quando era adolescente, tomou gosto por desenhar novamente e fez faculdade de Belas Artes em Montreal. Dali pra frente, começou a trabalhar com ilustração, animação e também foi professora. Muito tempo depois foi que começou a criar histórias para crianças e já ilustrou mais de 60 livros, que foram traduzidos em diversos idiomas.

Foi super bacana ouvir da própria artista como é o seu processo de criação. Nem sempre ela já tem a história toda na cabeça. Ela começa com uma ideia e então parte para o desenho. Começa a desenhar aleatoriamente até que o desenho vai fazendo mais sentido e as ideias vão se organizando melhor em sua cabeça. Mas disse ela que há vezes em que o texto vem primeiro.

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Marie-Louise também desenhou pra plateia de mais de 100 pessoas dentro da livraria infantil Kidsbooks, em Vancouver, Canadá (onde eu moro). Seus traços são tão simples. Pra gente que observa, parece que desenhar é tão fácil.

readmeastoryNo evento, a autora leu seu mais novo livro, Read me a story, Stella (ainda não traduzido no Brasil). Segundo Marie-Louise, neste livro ela se identifica muito com Estela. Foi o livro onde ela colocou mais de si na pequena menina ruiva.

As aventuras de Estela e Marcos geralmente mostram os dois irmãos explorando a natureza, os bosques, os mares, tanto de dia como de noite. Os pais nunca aparecem. Os diálogos são lindos, numa linguagem bem simplificada, mostrando a lógica infantil para explicar o que acontece na natureza. Estela é a irmã mais velha, que está sempre ajudando e respondendo as inúmeras perguntas do pequeno Marcos.

As ilustrações são bem delicadas. Marie-Louise Gay pinta manualmente quadro por quadro com aquarela, entre outras técnicas artísticas. Ela até nos mostrou um dos seus desenhos originais do livro novo.

As aventuras de Estela e Marcos já estão sendo adaptadas para televisão também, disponíveis no canal Disney Jr. nos Estados Unidos.

E há também aplicativos para tablets e smartphones, com historinhas e atividades interativas. Apenas em inglês.

Os livros da autora são indicados para crianças entre 3 e 5 anos para leitura compartilhada.

E você? Já conhecia o trabalho da Marie-Louise Gay?

Aperte aqui, de Hervé Tullet

É bem verdade que as nossas crianças de hoje estão super acostumadas com telas. É televisão, iphone, ipad, tablets e muitos outras bugigangas eletrônicas que prendem a atenção das crianças como muitas vezes um livro não consegue. Você deve ter visto esse vídeo da criança que trata revistas como tablets, tentando clicar e arrastar os elementos da página.

Pois Aperte aqui, de Hervé Tullet, aproveitou justamente essa habilidade das crianças de tocar em tudo como um touch screen e fez um livro-aplicativo, eu diria.

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Como assim?

Ele começa com uma simples bola amarela na página, e a instrução: “Aperte aqui e vire a página”. Na página seguinte aparece uma segunda bolinha amarela. Pra criança, ela causou o aparecimento da segunda bolinha amarela por ter apertado a primeira bolinha na página anterior. Genial, não?

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Várias multiplicações e movimentos de múltiplas bolinhas se sucedem.

Elas mudam de cor, se amontoam nos cantos das páginas quando você chacoalha o livro pra um lado e para o outro.

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Então, o autor convida a criança a bater palmas, e as bolinhas começam a crescer. E quanto mais palmas, mais as bolinhas crescem, até que estouram e você volta ao começo, com uma bolinha apenas.

 

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As crianças adoram! Esse é um ótimo livro para crianças bem pequenas, que estão começando a aprender as cores, por exemplo. Acho que desde 1 ou 2 anos já é possível aproveitar bem esse livro.

No Brasil, ele foi publicado pela editora Ática, em 2011. Eu só consegui achá-lo disponível na Saraiva.

Anna Hibiscus, de Atinuke

Eu não sei você, mas eu não resisto a livros novinhos dando sopa na biblioteca. Aqueles que nem dá pra você abrir as páginas direito porque ainda não foram folheados. Aqueles sem nenhuma orelhinha dobrada. Quando eu vi Anna Hibiscus na prateleira dos novos livros, eu peguei por dois motivos. Primeiro, porque era novo. Segundo, porque tinha uma ilustração linda na capa (eu adoro ilustrações e muitas vezes julgo livros pela capa sim!). Não só isso, mas a menina na capa era negra, o que me chamou a atenção, já que é raro encontrar protagonistas negros em literatura infantil.

annahibiscusEu me apaixonei pela história de Anna Hibiscus. Ela mora na África. Na linda África. Com seus irmãos gêmeos, pai, mãe, tios, tias, primos e avós, todos na mesma casarona. A mãe é branca, canadense, e se mudou para a África (a autora não especifica qual país) quando se casou com o pai de Anna.

O primeiro livro da série é dividido em quatro pequenos contos, contando aventuras da menina Anna. Na primeira, a família sai de férias para a praia, só o pai, a mãe, Anna e seus dois irmãos. Mas Anna estranha estar sozinha com sua família, já que vive com tanta gente na mesma casa. Acaba que a mãe de Anna também acha trabalho demais dar conta de tudo sozinha e os pais de Anna resolvem chamar o resto da família para as férias. Achei esse conto lindo porque mostra como as famílias se ajudam na África, esse senso de comunidade, de família, que é tão raro aqui na América do Norte, e é tão familiar na nossa cultura latina.

Na segunda história, a tia de Anna, Comfort, está para visitar a família. Ela mora nos Estados Unidos. O avô, pai da tia Comfort, fica receoso sobre os novos costumes da filha. Se a filha vai lembrar como as africanas se vestem, se vai saber comer com as mãos. Anna liga para a tia pra lhe dar o recado. A família se surpreende quando a tia Comfort chega vestida a caráter, como toda mulher africana se veste. Escondida, ela vai na praia de biquini, mas no fundo ela manteve suas raízes. Esse conto foi super querido pra mim, que também sou imigrante e luto com esse equilíbrio de tentar manter as raízes enquanto tento adotar uma nova cultura.

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(fonte)

O terceiro conto mostra meninas pobres que vendem laranja na rua. Anna fica com inveja das meninas, ela acha super divertido o que as meninas fazem que quer vender laranjas na rua também. Escondida, pega laranjas do seu quintal e vai pra rua vendê-las. As laranjas de Anna são melhores que as das meninas, que acabam não vendendo nada e não levam dinheiro pra casa naquele dia. O avô de Anna vê a situação e ensina a lição para a neta, que o que aquelas meninas fazem é trabalho, e não brincadeira. Ele obriga a neta a trabalhar no dia seguinte e doar todo o seu ganho para as meninas pobres. Anna se sente grata por não precisar trabalhar para viver.

Na última história, Anna vai pela casa atormentada pela ideia de ver neve, seu maior sonho. Ela então recebe um convite de sua avó materna para visitá-la no Canadá nas férias de verão. A vontade da menina é tanta de ver neve, que ela pede pra vó se pode ir no Natal, quando tem neve no Canadá. E assim o sonho de Anna Hibiscus se realiza.

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(fonte)

O livro é bem curtinho. O texto é uma delícia de ler. Frases curtas, direto ao ponto e bem poético nas descrições da África e do dia-a-dia da menina Anna. Eu achei o máximo saber mais sobre a cultura africana, onde as famílias nomeiam seus filhos com palavras comuns do idioma inglês como “Chocolate”, “Anjo”, “Double Trouble”, Tio “Domingo”, sem ter um equivalente na sua língua local.

Este é o primeiro livro de Atinuke, escritora nigeriana que vive no País de Gales, no Reino Unido. As lindas ilustrações em preto-e-branco e traços finos são de Lauren Tobia.

Infelizmente o livro ainda não foi traduzido para português. Tentei pesquisar se alguma editora no Brasil tem planos de publicar esse livro lá, mas não encontrei nada. Espero que sim, porque os brasileiros vão se identificar muito com Anna Hibiscus.

Você conhece a Mariana Massarani?

Já apresentei minha autora preferida no último post. Agora é hora de apresentar uma das minhas ilustradoras brasileiras preferidas: Mariana Massarani.

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Eu não sei se foi a oportunidade de conhecê-la na faculdade ou o que, o fato é que eu sou apaixonada pelas cores e o traço da ilustradora carioca. Não estudamos juntas, mas lembro que ela foi convidada por um professor de planejamento gráfico pra conversar com a turma na época. Ela fazia charges no Jornal do Brasil naquele tempo.

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O traço da Mariana é super marcante. Eu reconheço de longe. Já comprei livro só por causa de suas ilustrações.

Aqui são alguns dos que temos na nossa biblioteca.

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Um pirata muito só, de Denise Crispun (Escrita fina, 2010). Um pirata que não só tem um olho só, como uma perna só, um braço só. Ele viaja pelos mares até encontrar sua outra metade.

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A arca de Noé, de Ruth Rocha (Salamadra, 2009). A Ruth Rocha é outra escritora que a gente curte muito aqui em casa. Aqui ela reconta a história de Noé. O desenho de Mariana Massarani é super colorido, lindo!

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O livro das palavras, de Ricardo Azevedo (Editora do Brasil, 2008). Esse aqui ainda não terminamos de ler. As ilustrações são mescladas com outros materiais, não é só desenho. Mariana também brinca com a tipografia, desenhando com as letras.

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Romeu e Julieta, de Ruth Rocha (Salamandra, 2009). Outro da Ruth Rocha, que conta a história de duas borboletas de cores diferentes que não podiam se misturar. Eu não me canso das cores…

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Espero que vocês tenham curtido! Vocês têm algum ilustrador preferido? Compartilhem nos comentários, eu vou adorar saber!

A grande aventura de Maria Fumaça, de Ana Maria Machado

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A gente sabe que um livro é bom quando a criança pede pra lê-lo de novo, e de novo, e de novo. A grande aventura de Maria Fumaça é um desses livros aqui em casa. Minhas filhas nunca se enjoam dele.

Se não me engano, foi o primeiro livro da Ana Maria Machado que a gente comprou. E simplesmente nos apaixonamos pelo texto da escritora. Já temos outros sete livros dela!

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A Maria Fumaça é uma locomotiva que teve dias áureos quando a cidadezinha onde morava vivia do ouro. Depois que a mineração acabou, o trenzinho ficou esquecido lá nos trilhos da cidade. Até que ela resolveu convidar o vagão de carga Zé Pretinho para uma viagem até a cidade grande. No caminho, eles encontram o vagão de carregar bois, Seu Beltrão, que se junta às máquinas nessa grande aventura. O trem chega finalmente à cidade, onde volta à ativa de uma forma divertida.

O que me encanta na obra da Ana Maria Machado é seu texto simples. Nesse livro ela usa de rimas, que fazem o texto fluir melodicamente. Há também repetições, que são super importantes para a criança pequena. A criança já antecipa o que vai vir depois quando há repetições de cenas cumulativas. A autora também usa recursos estilísticos para imitar o som e o ritmo da locomotiva, como no trecho abaixo:

Lá vou eu pelo caminho,
lá vou eu pelo caminho,
lá vou eu pelo caminho, finiiiiiiiiiiiiinho…

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As ilustrações de Suppa são lindas! Super coloridas e ricas em detalhes e textura. Pra mim, livro de criança tem que ser bem colorido e cheio de figuras.

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A grande aventura de Maria Fumaça, de Ana Maria Machado. Editora Global, 2007. (A primeira edição é de 1979)

Que tal retomarmos o papo sobre livros para crianças?

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O blog ficou às moscas por quase um ano. Desculpem!

O fato é que deu vontade de voltar a escrever aqui e compartilhar minhas descobertas de autores e ilustradores de livros infantis.

Eu sou uma ávida leitora. Mas nem sempre foi assim, sabe? O hábito da leitura foi algo que se desenvolveu aos poucos na minha vida. Tento lembrar das minhas primeiras memórias de leituras, dos primeiros livros lidos, e não consigo lembrar de muita coisa. Aí fiquei pensando desde quando eu tenho a consciência de que gosto de ler? Até bem pouco tempo, as minhas mais remotas lembranças de livros favoritos datavam dos meus 12 ou 13 anos, quando fissurei na obra da Agatha Christie. Recentemente, consegui cavar mais fundo no meu baú de lembranças e redescobri outros autores e livros que eu curtia quando menor, talvez 10 ou 11 anos.

Tenho lido muito sobre livros infantis e vejo pessoas citando livros favoritos da primeira infância. Eu não tenho nenhum. Não que me lembre. Minhas memórias de criança pequena são sempre em volta da minha avó contando histórias pra gente. Tenho histórias preferidas que ela contava e tenho trechos memorizados dessas histórias até hoje. Mas não livros.

Hoje, como mãe, estou descobrindo a literatura infantil brasileira pela primeira vez. Apesar de conhecer os nomes dos grandes autores brasileiros (Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Ziraldo, Lígia Bojunga, Pedro Bandeira, entre outros), o fato é que eu não conhecia suas obras a fundo. Devido à minha renovada paixão pela literatura e por querer que minhas filhas compartilhem comigo desse gosto, tenho comprado pra elas livros clássicos brasileiros (nós moramos no Canadá).

Quero compartilhar aqui no blog as minhas descobertas através de resenhas e posts falando mais sobre esses autores e ilustradores que têm conquistado nossas estantes e corações.

Vem comigo?

É a sua vez de compartilhar: qual é seu livro favorito da infância?

Que rufem os tambores

Foi difícil escolher a melhor resposta! Todas vocês que comentaram estão fazendo um belo trabalho para estimular as crianças com a leitura! Mas tínhamos que escolher apenas uma, e a vencedora foi…

Marcia Morales

Crianças curiosas?E muito! Ofereça a elas um personagem interessante (e cada uma tem sua preferência de tema) e ela se interessará pelas aventuras daquele personagem.Desta forma, escolher coleçoes é um atrativo muito bom. Tenho uma filha de seis anos. Lemos todas as noites antes de dormir. Ela já sabe que a cada noite conheceremos mais um pedacinho das aventuras do nosso personagem eleito e ela espera por este momento e mesmo nos dias em que estou muito cansada, ao menos uma página tenho que ler! Este é um meio de lermos mais. Quem não se fascina pela sensação de: a seguir cenas dos próximos capítulos! Parabéns ao Conta outra vez!

Muitas de vocês disseram que lêem para as crianças, mas a Marcia acrescentou um tempero especial na leitura com as crianças, para deixá-las mais curiosas e com gostinho de quero mais!

E quem levou o livro Flora, de Bartolomeu Campos de Queirós, foi a Mônica Japiassú.

Parabéns meninas! Vamos entrar em contato por email para o envio dos livros.

E muito obrigada ao Comunidade Educativa por proporcionar este pequeno concurso aqui no blog! Nós do Conta Outra Vez desejamos longa vida ao projeto Pé de Livro, e que ele atinja mais e mais cidades neste imenso Brasil nosso!