![magichour[1] Exemplo é tudo na vida](http://contaoutravez.files.wordpress.com/2012/02/magichour11.jpg?w=300&h=300)
Exemplo é tudo na vida. Essa é minha Rafaela em 2005,com 1 ano e 10 meses
Uma estrada cheia de letras
Enfim chegou o dia de minha estréia. Fiquei um pouco apreensiva: uma médica em meio a três jornalistas hábeis com as palavras. Devo dizer que não são as diferenças que nos unem e sim as afinidades. Então, somos mães, adoramos um livrinho e, além de ter algo a dizer, queremos ouvir o que há para ser feito para que nossos pequenos se tornem pessoas incríveis. Acredito profundamente que essa transformação esteja relacionada ao repertório que oferecemos a eles: da música, passando pela nossa conversa com um vizinho que encontramos no elevador, e chegando em algo palpável e classicamente relacionado à educação, que é o livro. Ah, o livro! Tenho um amor enorme, do tipo extra G, por livros. O cheiro, a cor, as letras, a capa, tudo me atrai. Tenho muito mais livros do que consigo ler. No entanto, o ter me conforta. De quando em quando os pego, folheio, grifo uma frase e volto a guardar. Como todo bom amor, mesmo não estando tão presente, às vezes, eu sei que ele está lá, ao meu alcance.
Tudo começou com Monteiro Lobato e sua Coleção, em capa dura, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Letra grande, alguns desenhos simples em preto e branco e um encanto sem fim despertado. Para completar, uma prima uns anos mais velha que, naturalmente, lia mais rápido e com melhor compreensão; uma outra prima, com a mesma idade que eu e uma irmã mais nova, que, politicamente correto ou não, dá uma melhorada na nossa auto-estima! O clube do livro estava formado! Entre gozação sobre “você não entendeu nada e só leu” até realmente chegar na troca de informações e impressões. Interessante pensar sobre esse ponto de vista: tínhamos um clube de livro e não sabíamos! Ainda nessa época, década de 70, passava o programa do Sítio na Globo. Nossa imaginação misturava-se com o que víamos e tudo, tudo parecia possível. Como, de fato, tudo é possível quando fazemos a leitura por completo, não só se deixando conduzir pelo escritor(a), mas também utilizando nossos caminhos de interpretação.
E é esse caminho, o meu, que construí a partir de tudo que foi me oferecido na infância, pelos livros lidos, músicas, cheiros, lugares que conheci e vivi e principalmente pelo exemplo de ter uma mãe leitora, com a cabeceira da cama sempre com uma pillha de livros e um pai que lia mais pontualmente, porém sempre algo diferente e muito interessante aos meus olhos. É exatamente esse caminho que me capacitou e me dá a possibilidade de mostrar como se abrir e criar novas ruas, avenidas, estradas para o pensamento. Diferentes e melhores, sempre melhores!