Nunca tinha parado para pensar de onde nasceu o meu amor pelas palavras. Até chegar a hora de estimular os meus filhos a ler. Desde então, uma enxurrada de lembranças começou a brotar. E eu agora vivo me perguntando: como pode elas terem ficado guardadinhas por tanto tempo, ali, em um cantinho, sem eu nem me dar conta?

Minha formatura da alfabetização e um dos livros mais importantes
da minha infância: O Caminho Suave!
A primeira imagem que me vêm à cabeça quando penso no assunto é de uma Mic com seis ou sete anos, sentadinha em frente a várias folhas de papel, um grampeador e lápis de cor, na mesa da secretaria da escola da minha família, onde estudei até os 10 anos. Como minha mãe, tias e avós trabalhavam todas naquele lugar, era ali que eu passava as minhas tardes, depois da aula acabar. Impossível não absorver tudo daquele ambiente, cercado de livros, né?
Pois se enganou quem achava que eu passava minhas tardes desenhando. Na verdade, eu escrevia historinhas, algumas que a minha avó jura guardar até hoje. Me lembro bem da Vaquinha Meméia, que distribuia leite para os animais da fazenda, uma de minhas “obras” de criança. E fico emocionada ao ver Rafa e Juju virem todos felizes ao me entregarem livrinhos que eles mesmo fazem, quando desaparecem por alguns minutos no quarto. Estaríamos nós no caminho certo?

Me lembrei que tinha um disco desses e amava!
Outra lembrança deliciosa que me veio foi o meu livro preferido quando menina. Ele era enorme (ou eu que era miúda demais?) e tinha os principais contos dos Irmãos Grimm. A historia preferida, que a gente ouvia infinitas vezes? Rapunzel. E nesse mundo de fantasia, também faziam parte as historinhas com seus disquinhos coloridos. Eram horas e mais horas ouvindo as princesas cantando, as bruxas nos assustando, os príncipes trazendo um final feliz… Fui pesquisar e achei umas coleções que tentam reproduzí-los, só que em CD. Preciso comprar pra criançada aqui em casa!
Dos livrinhos de criança, evoluímos para o bom e velho Gibi. E, em minhas viagens até a banca de jornal, para renovar o estoque aqui de casa, parei para pensar o quanto eles foram fundamentais para o meu amor pela leitura. Ir ao banheiro e olhar para o lado sem encontrar revistinhas da Turma da Mônica e Tio Patinhas era o equivalente a viajar para o Nordeste e não ir a uma praia. Impossível! Quantas vezes me acabei de rir com os planos infalíveis de Cebolinha e Cascão, ou torci para que pelo menos uma única vez eles conseguissem roubar o Sansão? Ou para a chuva surpreender o Cascão e ele finalmente tomar um banho? Ah, a infância…
É nesses momentos que eu começo a perceber o dedinho dos meus pais e influência que eles tiveram para me tornar o que eu sou hoje. Pequenos e grandes atos, que fazem toda a diferença na vida de uma criança. Então vamos colocar essa turminha para ler? Eu já comecei a colocar a mão na massa, e pretendo contar aqui para vocês as nossas aventuras! Não deixem de voltar!
PS: Antes que perguntem, eu sou a menina de cabelos curtos, na fila de trás, a segunda da direita pra esquerda!
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