Aos olhos do freguês

Na minha incansável missão de fazer meus filhos gostarem de ler, esses dias lancei mão de uma nova tática: peguei furadeira, parafusos e pregos e parti para a ação! E ninguém precisa se assustar, viu? Não resolvi colocar em prática alguma experiência louca com as crianças. Apenas criei um cantinho de leitura no quarto deles, deixando tudo mais colorido e atraente. O resultado?

Nem eu tinha ideia da enorme quantidade de livros que nossa biblioteca já tem! Tirei tudo de dentro de uma caixa de madeira, onde ficavam escondidos, e trouxe para uma estante. Optei também por não colocar todos empilhados, lado a lado. De propósito, arrumei como se fosse uma vitrine. Agora, gibis, livrinhos, livrões e cadernos de colorir convivem em harmonia, ao alcance das mãos do Rafa e da Juju.

E que diferença! Agora é impossível eles entrarem no quarto ou irem para a cama sem passar pela nossa biblioteca. É nítida a diferença do comportamento deles em relação à leitura: muitas vezes entro no quarto e me deparo com cenas lindas como essas!

São pequenas atitudes que fazem uma enorme diferença nesse longo – e recompensador! – caminho pelo mundo da leitura. Quer contar pra gente alguma experiência sua que tenha dado certo em casa? Vamos compartilhar!

Falando em livro de presente…

Em 2007, éramos quatro na família, e nossa vida deu uma grande modificada. Optamos por deixar de morar na cidade de São Paulo, e viemos para não muito longe, mas já no interior,  São José dos Campos. Era um sonho antigo, no entanto qualquer transição não é fácil. Como tudo estava ficando melhor, posso dizer que a adaptação foi mais tranqüila  que o esperado. Maurício estava com 5 anos e Rafaela com 2 anos. Duas semanas depois da mudança, Rafaela fez 3 anos. Casa nova, vizinhança nova. Como seu aniversário é em janeiro, período de férias, foi fácil encontrar crianças no condomínio que estavam dispostas a passar uma tarde brincando, comendo pipoca e cachorro quente, para depois cantar parabéns com bolo de chocolate e brigadeiros. Hoje vemos as fotos e damos risadas, pois as crianças eram variadas, de muitas idades. De fato as que estavam disponíveis naquela linda tarde! Todas felizes ao redor da mesa com enfeites improvisados com o tema da festa que foi exatamente os brinquedos que eles tinham disponíveis para enfeitar. Eu digo a ela, sua festa de três ano teve como tema brinquedo, e tudo fica na recordação de uma forma muito gostosa.

Então em julho, também nas férias, Maurício completou 6 anos. Como ia para escola desde bebê, tinha já seus “velhos” amigos. Amigos de baba, como eu costumava brincar! E um dos mais amigões mesmo era o Caio. Ele veio com sua mãe de São Paulo para mais uma grande festinha domiciliar forrada de alegria e disposição dos pequenos!

E junto com ele, Caio, o seu presente, um livro que é muito legal, e por isso quis compartilha-lo nesse texto de hoje! Trata-se de ” O Homem Atômico Chegou!” (Boneco articulado com calças de combate chocantes e coloridas) , escrito e ilustrado por Mini Grey e editado pela Cosac Naify.

O livro é tão chocante quanto as calças de combate !!

Assim que abriu, Maurício e Caio se aninharam  no colo de Luciana, mãe de Caio e minha amiga, que prontamente se pôs a ler para os meninos. O boneco entra no imaginário do dono dele, e participa de missões metafóricas que não são nada mais que os afazeres de um menino qualquer em sua casa.  Ao ver o garoto do livro com seu bonequinho na mão e os objetos corriqueiros do dia-a-dia transformando em armas e objetos de proteção do herói… Todos fomos nos animando.  A geninialidade do livro esta nessa simplicidade criativa infantil. O livro foi e é  um sucesso, tanto que no ano seguinte, no colégio, cada aluno precisava escolher um livro para contar a história para a classe. O Maurício escolheu esse, sendo que ele mesmo desenhou o boneco num papelão, levou as “armas” domesticas de seu personagem e fez sua apresentação sendo movido pelo entusiasmo e deixando de lado a sua tradicional timidez.

 

Ainda hoje, estando o Maurício com 10 anos, eu o vejo brincar com seus bonequinhos que cabem nas mãos e vários sons e conversas saem de sua boca. E as missões de seus heróis vão sendo cumpridas uma a uma.

 

Obs.: Título em Inglês: “Traction Man is Here”.

Vale tudo!

Acho que as mães já estão mais do que acostumadas a fazer malabarismo. Inventam moda para a criançada comer legumes, se viram para convencer o moleque a entrar no banho, apesar dele jurar que não suou o dia inteiro, e tiram paciência da manga todos os dias para todo mundo ir para a cama no horário combinado. Então, não é de se espantar que a gente também tenha os nossos truques para convencer a galerinha que ler é uma aventura deliciosa, certo?

Aqui em casa, o foco tem sido estimular a pequena (ou nem tão pequena assim…) Juju, de cinco anos. Ela está começando o processo de alfabetização, mas desde cedo o negócio é colocá-la em contato com os livros. O que tem funcionado até agora? Unir o útil e agradável e pedir uma ajudinha deles para ela fazer o que mais gosta: desenhar! Continuar lendo

A semana do porco

Essa semana assisti o filme “Billi Pig”, produção brasileira com Selton Mello, Grazi Massafera e Milton Gonçalves. Foram bons minutos em que um discreto non sense tomou forma e conseguiu, mais do que entreter, fazer dar boas risadas. No filme, o meu eterno galã favorito Selton Mello é um corretor de seguros casado com uma mulher maravilhosa, a Grazi Massafera, mas não sabe muito bem o que fazer com isso. A beldade tem um brinquedo de estimação: o porquinho que dá nome ao filme e que é, aliás, bem feioso. Não demora para ela estabelecer contato oral com o porco de brinquedo, fato insólito, mas que no decorrer do filme se torna corriqueiro. Pensando bem, nada tão absurdo, pois quem não conversa com sua própria consciência? Procuro motivo para ter gostado tanto do filme. Sem dúvida o elenco é uma boa razão : Milton Gonçalves, Marília Pêra, Cássia Kiss entre outros estão nele também. No entanto o que e encanta é a ingenuidade pueril da linda mulher e a lógica completamente infantil e divertida do meu galã: Dê uma olhada no trailer, há uma cena dele fazendo o famoso “moonwalk” de Michael Jackson, que no contexto do filme fica ainda mais engraçada.

Foi nessa semana também que o encantador livro “Maneco Caneco Chapéu de Funil” voltou para casa. Estava emprestado. No livro da Editora Ática, escrito e ilustrado por Luís Camargo, existe uma dedicatória dizendo que foi por mim comprado na Livraria Cultura, há 3 anos, num desses passeios em que saímos de São José dos Campos e fazemos programas antes típicos da nossa vida paulistana.

Assim que o livro chegou, as crianças se interessaram novamente em lê-lo. Ele possui características que são ótimas para leitores preguiçosos sucumbirem: Letras grandes, ilustrações claras que fazem um passo a passo da história, frases gostosas como “Nem um nadica de nada” que se repetem, versos que viram musiquinha e um final divertido e inesperado. Tão interessante quanto ver um boneco surgir de objetos comuns de uma cozinha e lavanderia é tentar imaginar como é que se canta, e também cantar para os pequenos, a tal música que o autor propõe no meio do livro. E se divertir pedindo a cada um cantar ao seu modo.

Muito bem, mas afinal, o que há em comum entre os dois, livro e filme citados? Em ambos encontramos porcos. Mas isso é só um ponto. Tanto o livro como o filme serão melhor aproveitados se a eles dedicarmos nosso puro e descompromissado olhar infantil.

 

Onde moram os livros

Se tem algo que eu invejo muito em São Paulo são as livrarias… Aqueles cantinhos charmosos para tomar café, ler e levar as crianças para passar uma ou duas horinhas em contato com os livros. É claro que aqui no Rio tem a Livraria da Travessa e a Argumento, por exemplo, mas nada se compara à Livraria da Vila e suas vendedoras tão atenciosas, prontas para fisgar o próximo leitor. Continuar lendo