A grande aventura de Maria Fumaça, de Ana Maria Machado

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A gente sabe que um livro é bom quando a criança pede pra lê-lo de novo, e de novo, e de novo. A grande aventura de Maria Fumaça é um desses livros aqui em casa. Minhas filhas nunca se enjoam dele.

Se não me engano, foi o primeiro livro da Ana Maria Machado que a gente comprou. E simplesmente nos apaixonamos pelo texto da escritora. Já temos outros sete livros dela!

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A Maria Fumaça é uma locomotiva que teve dias áureos quando a cidadezinha onde morava vivia do ouro. Depois que a mineração acabou, o trenzinho ficou esquecido lá nos trilhos da cidade. Até que ela resolveu convidar o vagão de carga Zé Pretinho para uma viagem até a cidade grande. No caminho, eles encontram o vagão de carregar bois, Seu Beltrão, que se junta às máquinas nessa grande aventura. O trem chega finalmente à cidade, onde volta à ativa de uma forma divertida.

O que me encanta na obra da Ana Maria Machado é seu texto simples. Nesse livro ela usa de rimas, que fazem o texto fluir melodicamente. Há também repetições, que são super importantes para a criança pequena. A criança já antecipa o que vai vir depois quando há repetições de cenas cumulativas. A autora também usa recursos estilísticos para imitar o som e o ritmo da locomotiva, como no trecho abaixo:

Lá vou eu pelo caminho,
lá vou eu pelo caminho,
lá vou eu pelo caminho, finiiiiiiiiiiiiinho…

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As ilustrações de Suppa são lindas! Super coloridas e ricas em detalhes e textura. Pra mim, livro de criança tem que ser bem colorido e cheio de figuras.

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A grande aventura de Maria Fumaça, de Ana Maria Machado. Editora Global, 2007. (A primeira edição é de 1979)

Sistema de leitura interativo: Tag, do Leapfrog

Toc, toc, toc, tem alguém aí ainda?

A equipe do Conta sumiu, né? Estivemos enroladas e ocupadas com a vida, com trabalho, e acabou que o blog ficou parado nesse tempo. Mas aos poucos retomamos as postagens normalmente, vocês vão ver.

Hoje eu tô aqui pra falar de um tipo de livro bem bacana que tem aqui na América do Norte. Logo que me mudei pro Canadá, em 2007, minha filha ganhou um desses de presente e eu fiquei boba. O Tag, do Leapfrog, é um sistema de leitura interativo. O livro, que parece um livro comum, vem acompanhado de uma caneta. O impressionante é que a caneta narra o livro todo, e também “fala” as palavras quando você aponta pra uma específica, ou pra uma ilustração.

A caneta funciona com pilhas comuns e quando você compra um livro Tag, você tem que baixar a história pelo site e conectar a caneta no computador pra carregar a história no dispositivo.

Eu confesso que fico pasma e besta com a tecnologia. Deve ter alguma coisa nas folhas do livro, algum tipo de sensor, sei lá. Eu não sei como eles fazem isso, só sei que achei genial. É uma ferramenta super legal para as crianças que estão aprendendo a ler, porque elas podem apontar pra uma palavra, ver a grafia e ao mesmo tempo ouvir o som da palavra.

A melhor forma de entender como o sistema funciona é vê-lo funcionando, então fiz um vídeo da minha filha “lendo” com o Tag:

É como se fosse uma leitura compartilhada, só que não, né? Acho tão importante ler pra criança, seguir as linhas com o dedo, é praticamente a mesma coisa que o Tag faz. Aqui em casa só temos 2 livros do tipo, o resto são os livros que nós conhecemos, “analógicos”, que precisam de ação humana para serem lidos. :)

Não achei o Tag à venda nos sites brasileiros, acho que ainda não fizeram por aí. Taí uma ideia que seria super legal de ser importada, não?

Falando em livro de presente…

Em 2007, éramos quatro na família, e nossa vida deu uma grande modificada. Optamos por deixar de morar na cidade de São Paulo, e viemos para não muito longe, mas já no interior,  São José dos Campos. Era um sonho antigo, no entanto qualquer transição não é fácil. Como tudo estava ficando melhor, posso dizer que a adaptação foi mais tranqüila  que o esperado. Maurício estava com 5 anos e Rafaela com 2 anos. Duas semanas depois da mudança, Rafaela fez 3 anos. Casa nova, vizinhança nova. Como seu aniversário é em janeiro, período de férias, foi fácil encontrar crianças no condomínio que estavam dispostas a passar uma tarde brincando, comendo pipoca e cachorro quente, para depois cantar parabéns com bolo de chocolate e brigadeiros. Hoje vemos as fotos e damos risadas, pois as crianças eram variadas, de muitas idades. De fato as que estavam disponíveis naquela linda tarde! Todas felizes ao redor da mesa com enfeites improvisados com o tema da festa que foi exatamente os brinquedos que eles tinham disponíveis para enfeitar. Eu digo a ela, sua festa de três ano teve como tema brinquedo, e tudo fica na recordação de uma forma muito gostosa.

Então em julho, também nas férias, Maurício completou 6 anos. Como ia para escola desde bebê, tinha já seus “velhos” amigos. Amigos de baba, como eu costumava brincar! E um dos mais amigões mesmo era o Caio. Ele veio com sua mãe de São Paulo para mais uma grande festinha domiciliar forrada de alegria e disposição dos pequenos!

E junto com ele, Caio, o seu presente, um livro que é muito legal, e por isso quis compartilha-lo nesse texto de hoje! Trata-se de ” O Homem Atômico Chegou!” (Boneco articulado com calças de combate chocantes e coloridas) , escrito e ilustrado por Mini Grey e editado pela Cosac Naify.

O livro é tão chocante quanto as calças de combate !!

Assim que abriu, Maurício e Caio se aninharam  no colo de Luciana, mãe de Caio e minha amiga, que prontamente se pôs a ler para os meninos. O boneco entra no imaginário do dono dele, e participa de missões metafóricas que não são nada mais que os afazeres de um menino qualquer em sua casa.  Ao ver o garoto do livro com seu bonequinho na mão e os objetos corriqueiros do dia-a-dia transformando em armas e objetos de proteção do herói… Todos fomos nos animando.  A geninialidade do livro esta nessa simplicidade criativa infantil. O livro foi e é  um sucesso, tanto que no ano seguinte, no colégio, cada aluno precisava escolher um livro para contar a história para a classe. O Maurício escolheu esse, sendo que ele mesmo desenhou o boneco num papelão, levou as “armas” domesticas de seu personagem e fez sua apresentação sendo movido pelo entusiasmo e deixando de lado a sua tradicional timidez.

 

Ainda hoje, estando o Maurício com 10 anos, eu o vejo brincar com seus bonequinhos que cabem nas mãos e vários sons e conversas saem de sua boca. E as missões de seus heróis vão sendo cumpridas uma a uma.

 

Obs.: Título em Inglês: “Traction Man is Here”.

Vale tudo!

Acho que as mães já estão mais do que acostumadas a fazer malabarismo. Inventam moda para a criançada comer legumes, se viram para convencer o moleque a entrar no banho, apesar dele jurar que não suou o dia inteiro, e tiram paciência da manga todos os dias para todo mundo ir para a cama no horário combinado. Então, não é de se espantar que a gente também tenha os nossos truques para convencer a galerinha que ler é uma aventura deliciosa, certo?

Aqui em casa, o foco tem sido estimular a pequena (ou nem tão pequena assim…) Juju, de cinco anos. Ela está começando o processo de alfabetização, mas desde cedo o negócio é colocá-la em contato com os livros. O que tem funcionado até agora? Unir o útil e agradável e pedir uma ajudinha deles para ela fazer o que mais gosta: desenhar! Continuar lendo

A semana do porco

Essa semana assisti o filme “Billi Pig”, produção brasileira com Selton Mello, Grazi Massafera e Milton Gonçalves. Foram bons minutos em que um discreto non sense tomou forma e conseguiu, mais do que entreter, fazer dar boas risadas. No filme, o meu eterno galã favorito Selton Mello é um corretor de seguros casado com uma mulher maravilhosa, a Grazi Massafera, mas não sabe muito bem o que fazer com isso. A beldade tem um brinquedo de estimação: o porquinho que dá nome ao filme e que é, aliás, bem feioso. Não demora para ela estabelecer contato oral com o porco de brinquedo, fato insólito, mas que no decorrer do filme se torna corriqueiro. Pensando bem, nada tão absurdo, pois quem não conversa com sua própria consciência? Procuro motivo para ter gostado tanto do filme. Sem dúvida o elenco é uma boa razão : Milton Gonçalves, Marília Pêra, Cássia Kiss entre outros estão nele também. No entanto o que e encanta é a ingenuidade pueril da linda mulher e a lógica completamente infantil e divertida do meu galã: Dê uma olhada no trailer, há uma cena dele fazendo o famoso “moonwalk” de Michael Jackson, que no contexto do filme fica ainda mais engraçada.

Foi nessa semana também que o encantador livro “Maneco Caneco Chapéu de Funil” voltou para casa. Estava emprestado. No livro da Editora Ática, escrito e ilustrado por Luís Camargo, existe uma dedicatória dizendo que foi por mim comprado na Livraria Cultura, há 3 anos, num desses passeios em que saímos de São José dos Campos e fazemos programas antes típicos da nossa vida paulistana.

Assim que o livro chegou, as crianças se interessaram novamente em lê-lo. Ele possui características que são ótimas para leitores preguiçosos sucumbirem: Letras grandes, ilustrações claras que fazem um passo a passo da história, frases gostosas como “Nem um nadica de nada” que se repetem, versos que viram musiquinha e um final divertido e inesperado. Tão interessante quanto ver um boneco surgir de objetos comuns de uma cozinha e lavanderia é tentar imaginar como é que se canta, e também cantar para os pequenos, a tal música que o autor propõe no meio do livro. E se divertir pedindo a cada um cantar ao seu modo.

Muito bem, mas afinal, o que há em comum entre os dois, livro e filme citados? Em ambos encontramos porcos. Mas isso é só um ponto. Tanto o livro como o filme serão melhor aproveitados se a eles dedicarmos nosso puro e descompromissado olhar infantil.