Quando a televisão é aliada

O consenso diz que televisão e livros não andam de mãos dadas. Pelo contrário, que talvez o excesso de televisão até contribua para que as crianças se afastem dos livros. Como mãe, vivo me questionando sobre os períodos prolongados em frente da telinha. Minhas filhas tem preferência sim pela televisão, e acho que é até normal isso, mesmo que infelizmente.

Sem querer entrar no debate da televisão, penso que, às vezes, ela pode ser uma forte aliada dos livros. Quer um exemplo?

Como não moramos no Brasil, faço questão de comprar livros em português e apresentá-las a nossa cultura e literatura. Comprei dois livros do Monteiro Lobato. Quer mais clássico do que isso? Os livros escolhidos foram: Fábulas e Histórias Diversas.

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Vale tudo!

Acho que as mães já estão mais do que acostumadas a fazer malabarismo. Inventam moda para a criançada comer legumes, se viram para convencer o moleque a entrar no banho, apesar dele jurar que não suou o dia inteiro, e tiram paciência da manga todos os dias para todo mundo ir para a cama no horário combinado. Então, não é de se espantar que a gente também tenha os nossos truques para convencer a galerinha que ler é uma aventura deliciosa, certo?

Aqui em casa, o foco tem sido estimular a pequena (ou nem tão pequena assim…) Juju, de cinco anos. Ela está começando o processo de alfabetização, mas desde cedo o negócio é colocá-la em contato com os livros. O que tem funcionado até agora? Unir o útil e agradável e pedir uma ajudinha deles para ela fazer o que mais gosta: desenhar! Continuar lendo

No principio era o som

Sexta feira passada, fui buscar a Beatriz na escola, e ela trazia em suas mãos uma preciosa pasta amarela. Perguntei o que seria aquilo e já tentando abrir para ver, ela, no alto de seus 2 anos e 7 meses, me impediu. Explicou-me, de seu jeito, que na pasta estava sua tarefa. Seus irmãos têm todos os dias, e ela, nunca. Ainda bem! No Maternal ninguém precisa reforçar o aprendizado em casa. Mas o curioso foi esse poder que ela sentiu por ter também algo que os mais velhos por vezes praguejam e tentam deixar passar. E igualmente me surpreendeu o fato de ela levar ao pé da letra a indicação de sua professora: “Um livrinho para ser lido em casa!” Se era um livro para ser lido em casa, não poderia ser aberto no carro. Certíssimo.

Chegando em casa pudemos enfim chegar ao livro. E o que me chamou a atenção foi a “caderneta de empréstimo de livro” da minha pequena! Na foto não tinha nem um aninho… E já alugando livros na biblioteca!

Olha só a caderneta!

Desde quando uma criança pode gostar de livros? Ou melhor desde quando um bebê pode se interessar por ele? Nos dias atuais é até covardia! Temos livrinhos que são brinquedos de banho, livrinhos de montar, de apertar e ouvir…Mas em todos esses é necessário alguma interação do bebê com o objeto.

 E se tentássemos antes ainda? Eu tenho uma boa amiga, a Vicky, que mesmo sem imaginar um motivo educacional lia para sua bebezinha. Para espantar o tédio e o silêncio, fazia a leitura de seu livro de cabeceira em voz alta. Estando a menina dormindo ou acordada, ela lia. Imagino minha amiga com o livro na mão, copo d’água por perto, afinal a lactante tem uma sede incrível, e as palavras sendo ditas, com cadencia, para uma linda Julinha. Ela me confessou que passava dos livros e lia também publicações semanais para que a bebê tomasse conhecimento. Lia a Veja e a Veja São Paulo. Pude imaginar como foi a leitura do livro, agora a da Vejinha não consegui alcançar.

 Alguns anos depois, numa palestra dessas em Livraria, estive com alguns feras da Literatura Infantil que abordaram o assunto. Assim que vi minha bebê na caderneta da biblioteca, lembrei-me do Ziraldo, amado escritor-ilustrador. Quando perguntado como e quando estimular a leitura infantil, ele generosamente partilhou uma história vivida em sua família, com seu neto. Ou neta, agora não sou capaz de lembrar. Mas lembro- me bem da sua história. Ele descobriu que sua filha lia clássicos da Literatura Infantil  para um indefeso bebê que nem sabia rolar no berço. Incrédulo, perguntou a sua filha o porquê desse habito. E com bastante naturalidade ela responde ao pai que os bebês precisam se acostumar com sons de coisas boas.

 Se faz sentido ou não, nem eu, e acredito que nem mesmo o mestre Ziraldo sabe. Mas uma coisa é certa: no principio era o som, depois vieram as palavras e o amor a elas.

A semana do porco

Essa semana assisti o filme “Billi Pig”, produção brasileira com Selton Mello, Grazi Massafera e Milton Gonçalves. Foram bons minutos em que um discreto non sense tomou forma e conseguiu, mais do que entreter, fazer dar boas risadas. No filme, o meu eterno galã favorito Selton Mello é um corretor de seguros casado com uma mulher maravilhosa, a Grazi Massafera, mas não sabe muito bem o que fazer com isso. A beldade tem um brinquedo de estimação: o porquinho que dá nome ao filme e que é, aliás, bem feioso. Não demora para ela estabelecer contato oral com o porco de brinquedo, fato insólito, mas que no decorrer do filme se torna corriqueiro. Pensando bem, nada tão absurdo, pois quem não conversa com sua própria consciência? Procuro motivo para ter gostado tanto do filme. Sem dúvida o elenco é uma boa razão : Milton Gonçalves, Marília Pêra, Cássia Kiss entre outros estão nele também. No entanto o que e encanta é a ingenuidade pueril da linda mulher e a lógica completamente infantil e divertida do meu galã: Dê uma olhada no trailer, há uma cena dele fazendo o famoso “moonwalk” de Michael Jackson, que no contexto do filme fica ainda mais engraçada.

Foi nessa semana também que o encantador livro “Maneco Caneco Chapéu de Funil” voltou para casa. Estava emprestado. No livro da Editora Ática, escrito e ilustrado por Luís Camargo, existe uma dedicatória dizendo que foi por mim comprado na Livraria Cultura, há 3 anos, num desses passeios em que saímos de São José dos Campos e fazemos programas antes típicos da nossa vida paulistana.

Assim que o livro chegou, as crianças se interessaram novamente em lê-lo. Ele possui características que são ótimas para leitores preguiçosos sucumbirem: Letras grandes, ilustrações claras que fazem um passo a passo da história, frases gostosas como “Nem um nadica de nada” que se repetem, versos que viram musiquinha e um final divertido e inesperado. Tão interessante quanto ver um boneco surgir de objetos comuns de uma cozinha e lavanderia é tentar imaginar como é que se canta, e também cantar para os pequenos, a tal música que o autor propõe no meio do livro. E se divertir pedindo a cada um cantar ao seu modo.

Muito bem, mas afinal, o que há em comum entre os dois, livro e filme citados? Em ambos encontramos porcos. Mas isso é só um ponto. Tanto o livro como o filme serão melhor aproveitados se a eles dedicarmos nosso puro e descompromissado olhar infantil.